Foragido
trazes sempre a mala cheia de nada
e marcas de água na biqueira das botas
sujas de pó e de terra
[sim, fiquei aqui
imóvel, a respirar]
falas dos montes áridos, dos lagos frios
cobres me com o vento seco
e pintas-me com estradas de alcatrão quente
[sim, fiquei aqui
silenciosa, a respirar]
tua pele é sal, é areia, é calor
espero que me contes a história
do assalto na berma da estrada
[sim, fiquei aqui
a respirar, sozinha]
chega a noite, chegamos nós,
cansados, suados, deitados num quarto de hotel
chega a língua áspera da despedida
Robert Frank
«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares
a língua áspera da despedida e a estrada de sal
ResponderEliminar[sim, estou aqui. nunca saí daqui]. não sou um forasteiro.
abraço!
ler tua poesia é um prazer
ResponderEliminarcomo se subisse montanha
e descesse apressado
para subir novamente
...
beijo carinhoso.