
[Gala e Salvador Dali]
eu deixei de fumar de tu nunca fumaste
mas sei, que se te cravar um cigarro
guardas um no bolso para mim
que se te pedir lume, encontras no fundo do bolso do teu casaco um isqueiro sem gás
[lamento, não funciona]
continuas a insistir, a riscar, sem efeito, a pedra do isqueiro
[obrigada à mesma, alguém ao dobrar da esquina terá lume]
mas tinha a noite caído, sobre os candeeiros esguios de gélido metal
uma luz negra cobria agora as minúsculas pessoas, que corriam: fugiam entre os túneis do metro, entre autocarros repletos de sonhos desfeitos
a mesma luz negra, descia sobre a nossa pele, dobrava o teu rosto pálido e caia a meus pés
[será um risco percorrer esta calçada sozinha, agora…]
em bicos de pés bebia a tua voz
[agora que todos se vão e o café fechou]
à volta, apenas o silêncio e uma praça vazia
e uma vontade incontrolável de fumar um cigarro
um cigarro que nem sequer trazia
(... continua)
quanto dos cigarros que não trazemos e do lume que nos dão [mas sem chama] nos define?...
ResponderEliminarbeijo, amiga!
p.s. texto soberbo!