Essential Killing - Ending Theme
o vento agita violentamente bandeiras
inúteis, presas nos seus velhos mastros, esfarrapadas
ouço o som de ondas, que se rebentam contra os rochedos
e todo o oceano é um banho de espuma amarelada
o frio faz-me voltar as costas e apertar o casaco
a língua de alcatrão estende-se sob os meus pés
frios e húmidos desta estação que me consome
ainda vejo um reflexo numa qualquer montra
e mal reconheço a minha face no vidro sujo de um prédio devoluto
sigo a estrada com o vento nas minhas costas
desconheço a sensação de fome, de sede
sei de cor o frio que me invade
e sigo, surda, muda e cega
não importa
a claridade do teu sorriso
o calor da tua boca
o sabor dos teus braços
a cor das palavras na tua voz
vasta é a estrada
imensos são os trilhos sinuosos
e com lama alagam-se as trincheiras
sete palmos de lama

Fotografia de Pedro Polónio, http://club-silencio.blogspot.com/
as imagens pulam sobre meus olhos
ResponderEliminare a voz continua além dos céus
...
Beijo carinhoso.
Laura, este é daqueles poemas que continuam ecoando quando terminamos de ler...
ResponderEliminarbelíssimo! e denso, como as trincheiras de lama...
mas as pernas são fortes,
e para quando elas fraquejarem, as asas são grandes :)
beijinho, querida poeta!
Belo poema, "recheado" de sensações. E de imagens também. Que bom é ler-te, Laura.
ResponderEliminarBeijos.
Mas eu acho que a claridade, o calor, o sabor e a cor das coisas é importante mesmo...
ResponderEliminarGostei do teu poema. Um pouco melancólico, comoa música do vídeo, mas magnífico.
Beijo, querida amiga.