subo e desço estas escadas, encontrões, ombros que desenham linhas imaginárias contra os meus braços, sinto uma dor ligeira, um rubor vermelho, uma aureola na pele branca
subo e desço estas escadas, alguém me chama, alguém grita o meu nome, não estou aqui
seguras a minha anca com as tuas mãos firmes, sou um pássaro que é capaz de voar com as tuas asas, bebo o ar do ponto mais alto onde me levas, arqueio as costas e ainda sinto a pele dos teus dedos na pele das minhas ancas
um toque nas pernas, leva-me de volta às escadas
o cheiro da tua boca sublima-me no ar
estou aí, enrolada no teu corpo enquanto lês a história dos meus ossos
a verdadeira perdição está guardada em sonhos inconfessáveis
ninguém me conhece integralmente, mas juntem-se todos os que partilharam a minha mesa e todos os eus perdem-se em fumo
se sorrio, não sorrio
se calo, não calo
se sou, não sou, eu

Fotografia de Pedro Polónio, http://club-silencio.blogspot.com/
"...sou um pássaro que é capaz de voar com as tuas asas, bebo o ar do ponto mais alto onde me levas..."
ResponderEliminarSoberbo.
És imensa.
Beijos, minha querida amiga.
a perdição que habita os sonhos. sabemos nós, acaso, habitá-los também?
ResponderEliminartexto e imagem soberbos!