o dedo percorreu a parte exterior da coxa por cima da roupa, mas mesmo assim sabias que a pele é branca e que o arrepio percorreria todo o corpo
[tu sabes, tal como eu sei]
a mão deslizou suavemente pela parte interior da perna até ao preciso local onde tudo é proibido
[já sabemos, o que sempre soubemos]
todo o tempo, todo o escasso tempo que nos resta é aqui, escondidos entre estas paredes mudas, sobre estes lençóis frios que se mancham com o calor dos nossos corpos, todo o nosso sangue corre sobre o soalho do chão
somos vapor negro que se dissolve entre o silêncio do quarto
[sabemos, como sempre soubemos o que ninguém sabe]
amanhã, quando abrirem as portas perras, o vazio fugirá aos mortais

Fotografia de Pedro Polónio, http://club-silencio.blogspot.com/
tenho medo dos teus escritos: me deixam atordoados de tanta beleza
ResponderEliminarbeijo
Gostei muito, e gostei particularmente de escreveres os pormenores.
ResponderEliminarSó há crime se o proibido for ultrapassado... e ainda assm a maior probabilidade é a absolvição... porque o amor tudo perdoa (ou quase...).
ResponderEliminarExcelente texto, como sempre.
Querida amiga, tem um bom fim de semana.
Abraço.