a tua roupa dobrada no cabide: observo-a do outro lado do quarto
daquele mesmo ponto onde a parede se funde com as tábuas do soalho
a tua roupa, religiosamente dobrada, guardada como relíquia de boticário
acumulou ao longo dos dias, dos dias longos, dos dias curtos, das noites frias, das noites solitárias:
todos os risos, todos os choros
todos os silêncios, todos os gritos
todos os abraços, todo o frio
e agora está lá, queda e silenciosa
a roupa que cobriu o teu corpo, agasalhou a tua pele, abafou o teu sorriso distante
e agora:
perdeu a sua cor, desbotada pelos anos
e agora, a tua roupa já não tem a forma do teu corpo
e o silêncio habita no armário fechado

Uma Taxidermia de Papel, 1989 - Jorge Molder
daquele mesmo ponto onde a parede se funde com as tábuas do soalho
a tua roupa, religiosamente dobrada, guardada como relíquia de boticário
acumulou ao longo dos dias, dos dias longos, dos dias curtos, das noites frias, das noites solitárias:
todos os risos, todos os choros
todos os silêncios, todos os gritos
todos os abraços, todo o frio
e agora está lá, queda e silenciosa
a roupa que cobriu o teu corpo, agasalhou a tua pele, abafou o teu sorriso distante
e agora:
perdeu a sua cor, desbotada pelos anos
e agora, a tua roupa já não tem a forma do teu corpo
e o silêncio habita no armário fechado

Uma Taxidermia de Papel, 1989 - Jorge Molder
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