No mesmo instante em que entrega o filho aos cuidados da ama, o marido atravessa a fronteira entre a Alemanha e a França. O cansaço é muito, mas a vontade de chegar a casa é maior.
Na noite de consoada, mãe e filho partilham no mesmo prato, a pobre refeição, enganando mais tarde o estômago com uma guloseima natalícia.
Debaixo do pinheiro de plástico, comprado numa promoção com desconto em cartão, não há presentes. Desculpem-me os leitores, mas prefiro substituir por, nunca há presentes.
Não se sabe bem a hora, mas parece que o filho da Maria caminhou pela primeira vez, quando ouviu bater à porta. Quase que consigo imaginar que deve de ter aberto a porta ao seu pai, o seu Pai Natal.
Uns quilómetros mais à frente, numa outra casa, de pessoas com outras posses, João traquina pergunta, Ó mãe, o Pai Natal é made in China?

Fotografia Pedro Polónio, http://club-silencio.blogspot.com/
Sagaz.
ResponderEliminarE como diria um professor de Geografia, feroz.
beijos com carinho e admiração pra ti Laura e tudo de bom neste final de 2011 e para 2012 muito muito mais ♥♥♥♥♥
em tempos tais, a geografia é só uma circunstância
ResponderEliminarbeijo e muitas realizações e inspirações para ti e todos os teus
Laurinha, que o espírito de Boas Festas ilumine cada vez mais tua voz...
ResponderEliminarBeijinho carinhoso desta amiga que te admira muito!
Tão real e presente no nosso quotidiano...
ResponderEliminarFeliz Natal, Laura!
Beijinho grande.
Muito bom. Penso na caduquice de certas tradições adaptadas aos tempos da soberania do mercado, e na perpetuidade de certas contradições.
ResponderEliminarVá lá, engraçado imaginar milhões e milhões de operários chineses, não-cristãos, na produção de brinquedos e objetos que irão infestar os mercados numa das festas da cristandade.
Tudo de bom, Laura.
Beijo.