Amo.
Os pingos de chuva,
Enquanto escorrem pelo meu rosto,
Limpando o medo.
Amo.
A chuva torrencial,
Impiedosamente arrastando,
O mais fundo do pensamento.
Amo.
As gotas de mar,
Que se evaporam do meu corpo,
Lembrando o sabor a sal.
Amo.
O imenso oceano,
Revolvendo esse tal sentimento.
Amo.
Os sopros do vento,
Cabendo inteiros nos meus ouvidos.
Amo.
Os triunfantes vendavais,
Acarretando as dolorosas derrotas.
Amo.
O fogo que destrói, ardendo ruidosamente.
Amo. Amo. Amo.
E não sei se te amo a ti.
«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Palavras
Isto é o que eu quero dizer.
Aquilo que nunca te disse.
Escondido perdido num baú sem fundo.
Pensamentos cobertos de assustadoras duvidas.
Aquilo que na realidade te quero dizer,
Resume-se a tudo que trago guardado,
Num livro cheio de nada,
Escrito em tinta de água.
Na certeza, aquilo te que vou dizer,
Remete-se ao profundo silêncio.
Aquilo que nunca te disse.
Escondido perdido num baú sem fundo.
Pensamentos cobertos de assustadoras duvidas.
Aquilo que na realidade te quero dizer,
Resume-se a tudo que trago guardado,
Num livro cheio de nada,
Escrito em tinta de água.
Na certeza, aquilo te que vou dizer,
Remete-se ao profundo silêncio.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Na berma da estrada,
Acumulam-se milhares de folhas ímpares,
Outrora testemunho de uma desejada primavera.
Vão passando as pessoas,
Na constância dos seus rituais,
Fingindo assim ignorar a circunstância do dia.
Ao longe um bebé chora,
Pela realidade do imperceptível.
Não tão longe uma criança chora,
Perante a inconcretização do sonho.
Ao perto o homem ri,
Omitindo o choro,
Em ti o ser sofre nas palavras que tardaram.
Acumulam-se milhares de folhas ímpares,
Outrora testemunho de uma desejada primavera.
Vão passando as pessoas,
Na constância dos seus rituais,
Fingindo assim ignorar a circunstância do dia.
Ao longe um bebé chora,
Pela realidade do imperceptível.
Não tão longe uma criança chora,
Perante a inconcretização do sonho.
Ao perto o homem ri,
Omitindo o choro,
Em ti o ser sofre nas palavras que tardaram.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Mais de um metro tem os meus braços.
Quando te envolvo neles parecem ser infinitos,
E é aí que eu te perco.
Um metro e vinte de mão a mão,
Incapaz de enlaçar esse mundo.
Dois olhos castanhos-esverdeados,
Olhando a tua figura esbelta,
Perdendo-se no espaço da vida.
O astigmatismo, um defeito que não impede
De ver o mundo que desaparece.
Um coração que pára na realidade do possível,
Batendo na impossibilidade do impossível.
Quando te envolvo neles parecem ser infinitos,
E é aí que eu te perco.
Um metro e vinte de mão a mão,
Incapaz de enlaçar esse mundo.
Dois olhos castanhos-esverdeados,
Olhando a tua figura esbelta,
Perdendo-se no espaço da vida.
O astigmatismo, um defeito que não impede
De ver o mundo que desaparece.
Um coração que pára na realidade do possível,
Batendo na impossibilidade do impossível.
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