«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares
segunda-feira, 2 de março de 2009
Fausto 0,8
Raiva.
Raiva é isso que sentes.
Algo que te consome interiormente.
Queima as tuas entranhas,
Rasga o teu ventre,
Libertando o cheiro de carne putrefacta.
Ódio.
Ódio é isso que carregas.
Dentro do teu ineficaz coração,
Bloqueia o teu cérebro.
Limita as tuas acções,
Bloqueando as tuas palavras.
Dor.
Dor é isso que trarás.
Eternamente em ti, e para ti.
A desculpa do que fizeste.
O arrependimento do que deverias ter feito.
O futuro que escolheste.
Sentir.
Sentir a alma queimada por um fogo gélido.
Que te destruirá por dentro.
Iludindo o comum dos mortais por fora.
O sorriso que disfarça o desespero.
A palavra que anseia pelo silêncio.
O fim?
Ou o inicio?
Raiva é isso que sentes.
Algo que te consome interiormente.
Queima as tuas entranhas,
Rasga o teu ventre,
Libertando o cheiro de carne putrefacta.
Ódio.
Ódio é isso que carregas.
Dentro do teu ineficaz coração,
Bloqueia o teu cérebro.
Limita as tuas acções,
Bloqueando as tuas palavras.
Dor.
Dor é isso que trarás.
Eternamente em ti, e para ti.
A desculpa do que fizeste.
O arrependimento do que deverias ter feito.
O futuro que escolheste.
Sentir.
Sentir a alma queimada por um fogo gélido.
Que te destruirá por dentro.
Iludindo o comum dos mortais por fora.
O sorriso que disfarça o desespero.
A palavra que anseia pelo silêncio.
O fim?
Ou o inicio?
domingo, 1 de março de 2009
Fausto 0,7
Fausto, todos os teus ossos estão frágeis.
Segues o teu trilho cercado por uma incerteza sempre certa.
Nas pequenas pausas curas as tuas nódoas negras.
Fazes o teu frágil físico forte, e a tua mente impenetrável.
Não reconheces o presente, ignoras o futuro.
A DUVÍDA está lá. Sempre. Sempre.
Um martelo pneumático que te massacra o pensar.
Um medo. O MEDO.
Prossegues, enganando os amigos erróneos, numa coragem mentirosa.
Enfrentando o teu medo, vivendo no medo.
Rapidamente tombas e numa falsificada agilidade,
Ergues o teu corpo estragado, auxiliado por uma desconhecida perseverança.
E que vais fazer tu, Fausto?
Quando a força que nunca tiveste acabar?
Quando na tua batalha ficares sem acção, imóvel, com o teu medo?
O TEU MEDO; OS NOSSOS MEDOS.
Que vamos fazer Fausto,
Quando a realidade se tornar a nossa realidade?
Quando o fim se precipitar sobre nós?
Perdemos a força? Encaramos a amarga realidade?
Escolho o fim? Ou escolho o início?
Segues o teu trilho cercado por uma incerteza sempre certa.
Nas pequenas pausas curas as tuas nódoas negras.
Fazes o teu frágil físico forte, e a tua mente impenetrável.
Não reconheces o presente, ignoras o futuro.
A DUVÍDA está lá. Sempre. Sempre.
Um martelo pneumático que te massacra o pensar.
Um medo. O MEDO.
Prossegues, enganando os amigos erróneos, numa coragem mentirosa.
Enfrentando o teu medo, vivendo no medo.
Rapidamente tombas e numa falsificada agilidade,
Ergues o teu corpo estragado, auxiliado por uma desconhecida perseverança.
E que vais fazer tu, Fausto?
Quando a força que nunca tiveste acabar?
Quando na tua batalha ficares sem acção, imóvel, com o teu medo?
O TEU MEDO; OS NOSSOS MEDOS.
Que vamos fazer Fausto,
Quando a realidade se tornar a nossa realidade?
Quando o fim se precipitar sobre nós?
Perdemos a força? Encaramos a amarga realidade?
Escolho o fim? Ou escolho o início?
Fausto 0,1 - Quantas?
Quantas vezes?
Quantas vezes caí nas teias da sedução inexistente.
Construindo histórias assentes numa ilusão efémera,
Desbastando incorruptíveis corações apaixonados.
Quantas, quantas vezes!
Quantas vezes prometi amar
Desconhecendo o meu par.
Desejei desbravar um sentimento de amor, ódio e caos.
Sim caos, numa inexistência de sonho.
Num pesadelo inacabado.
Quantas vezes amei, desejei, senti, amei, desejei, construí, amei, desejei, entreguei-me? …
E quantas foram as vezes que me enganei, que errei, que me enganei, que errei?...
E quantas foram as vezes que de novo tudo comecei…
A amar.
A desejar.
E quantas foram as vezes que errei?
E…
Quantas…
Foram…
As…
Vezes…
Que…
…
Quantas vezes caí nas teias da sedução inexistente.
Construindo histórias assentes numa ilusão efémera,
Desbastando incorruptíveis corações apaixonados.
Quantas, quantas vezes!
Quantas vezes prometi amar
Desconhecendo o meu par.
Desejei desbravar um sentimento de amor, ódio e caos.
Sim caos, numa inexistência de sonho.
Num pesadelo inacabado.
Quantas vezes amei, desejei, senti, amei, desejei, construí, amei, desejei, entreguei-me? …
E quantas foram as vezes que me enganei, que errei, que me enganei, que errei?...
E quantas foram as vezes que de novo tudo comecei…
A amar.
A desejar.
E quantas foram as vezes que errei?
E…
Quantas…
Foram…
As…
Vezes…
Que…
…
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