«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares

domingo, 20 de maio de 2012

Polaroid 51


Rented room

passava os dedos pelo teu corpo
unia os sinais que te cobriam a pele,
que fazes? ria-me sempre das tuas perguntas:
descubro uma nova estrada, furto um avião

encaixava o calcanhar na tua clavícula
a outra perna pendia da cama, à sorte
sentia os teus dedos cravarem-se nas costelas:
mostra-me o mar de onde irás partir

os sinais no teu corpo aumentavam
as tuas cicatrizes eram gigantes ofuscando o olhar
infinita tempestade que em mim encontrava sossego
e a perna a balançar na sua sorte
Fotografia de Man Ray, 1928

4 comentários:

  1. Bom dia!
    Lindo poema,muita sensualidade a flor da pele.
    Grande abraço
    se cuida

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  2. Balanço que dá vertigem sem dar náusea.
    Perfeito.
    Harmônico e inquieto.
    beijoss

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  3. Alegre e sensual, uma canção feito poesia.

    bjs

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