«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares

domingo, 20 de maio de 2012

esventrado XIII

não, não fales
de viagens sem destino nas costas das tuas mãos
de mergulhos doces na areia debaixo dos nossos pés

não, não fales
em abrir o tempo e beber o azul do céu
em esticar os braços, aprender a voar

não, não fales
todas as mansões serão muito em breve
ruínas desfeitas entregues ao silêncio

 

5 comentários:

  1. Há anos eu pedia silêncio em certas situações, para não ouvir o que agora não ouvirei nunca mais. Tudo se transforma, a ruína é a maior parte da vida.
    Excelente poema!

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  2. Laurinha,
    ... mas mesmo as ruínas falam.

    Beijos!

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  3. ruínas desfeitas: poesia

    beijinho, poeta amiga!

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  4. ruínas desfeitas, numa poesia mais amena.

    bjs

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