«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares

domingo, 27 de maio de 2012

bala número dezasseis

escolho a melhor roupa, guardo algum dinheiro num velho envelope escondido atrás de um armário.
escrevo uma carta, escrevo varias cartas, ensaio uma despedida, formalizo um adeus.
entre riscos e rabiscos, entre fotografias velhas, fotografias rasgadas, fotografias que nunca foram tiradas, caminho de pés descalços.
esqueci o tempo, mas há muito que ele de mim se esqueceu.
desconheço a ordem das estações mas sei que lá fora é chuva que cai.
bebo um gole de água para disfarçar a secura que se instalou na minha boca, sussurro o teu nome

e esqueço-te com a cor das chamas

4 comentários:

  1. "esqueço-te com a cor das chamas"

    Fez-me pensar que faço de meus desamores tatuagens riscadas com as unhas.

    Beijinho,minha amiga poeta querida!!

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  2. há um resgate nas palavras

    belo blog

    abs

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  3. formalizar um adeus é verso árduo!

    beijo.

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  4. A bala cruza o peito. Morre! E a gente continua... em chamas
    bj, bj

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