«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

esventrado I

Fotografia de Pedro Polónio, http://club-silencio.blogspot.com/

já mirraram as ervas rasteiras no rés da porta
os cães desistiram de mijar nas paredes
os miúdos guardaram as suas pedras no bolso
e o frio desistiu de invadir os vidros partidos


perdeu-se o odor dos narcisos apodrecidos
a pele, colada em paredes nuas


o silêncio é algo que ainda consigo berrar

5 comentários:

Luís Gustavo Brito Dias disse...

- o silêncio também diz, já dizia o mestre Sidarta.

Jorge Pimenta disse...

antes tudo o que acaba do que o que teima em não querer germinar...
beijinho!

Cissa Romeu disse...

Laura,

o tempo desistiu de avançar,
o silêncio -
velho senhor que tudo sabe, mas não quer falar -
sentencia afônico a hora de gritar para dentro.

Linda tua poesia!

Beijos!

Assis Freitas disse...

seviciar o silencio,


beijo

epee disse...

Do grito ao silêncio, a poesia, no ventre livre do verso, o reverso de uma vida. Sofrida.

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