«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

esventrados II

apanho a roupa jogada ao acaso
pelo chão do quarto, 
do outro lado o teu olhar negro fita-me
sobrancelhas em arco, carregadas de aparente calma
reconheço os teus lábios grossos
que tantas vezes percorreram o meu corpo arrepiado,
sinto o arranhar da tua barba no ventre


caminho com passos perdidos
fintando os detritos da última noite
apoiada nas paredes de cor esquecida


entre o pó e o tempo
acumulado no canto do quarto
pressinto o mexer das rugas na tua testa
eu disse que te amava
isto, isto é só fazer de conta

4 comentários:

Ira Buscacio disse...

Bom vir aqui e conhecer melhor teu universo, já visto pouco no blog do Jorge, na parceria afinada.
Obrigada pela visita e volte sempre.
bj

Jorge Pimenta disse...

mesmo no faz de conta... há sempre algo que conta. pensar é contrário é não querer ver...
beijinho, laura amiga!

Cissa Romeu disse...

Laura,

palavras que voam sem asas
esmorecem com as hélices empoeiradas.
Pálidas,com rouquidão, tentam movimento:
pensam que voam até que caem.
Sem asas, destino certo é o chão.

Agradeço tua visita.
Aprecio muito tua poesia, assim como as tuas parcerias com o amigo Jorge Pimenta. Parcerias essas que tenho especial admiração.
Estive conhecendo teu espaço agora, sem ter muito tempo, li e comentei estes três últimos. Com mais calma retorno aos poucos.

Beijos!

Tania regina Contreiras disse...

Isso, faz de conta, e É. Poema sentido, Laura!

Beijos,