«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares

segunda-feira, 18 de junho de 2012

balada XVII



talvez sejamos os que caminham
de olhos bem arregalados
com orelhas afinadas,
de braços erguidos no alto
e de punhos fechados

talvez sejamos os que caminham
na noite e fingem ser dia,
os que desconhecem as cores do amanhecer
de cansados que estão da escuridão

talvez sejamos aqueles
de olhos raiados de sangue
com ossos quebrados
e pele coberta de nódoas negras

talvez sejamos os que tentam calar
e morrem a estrebuchar

talvez sejamos os ninguém
sem número, sem lapide

 Fotografia de Laura Alberto

2 comentários:

  1. lindo poema. estou encantado. passarei mais vezes aqui. grande abraço. ;)

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  2. que poema, que poema

    uau ( me roubou as palavras)

    beijo

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