«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

esventrado XXVI

a tua cama
é o abismo onde gosto de me perder
os teus lençóis
carregam a sujidade que me viciam
o teu quarto
abriga os meus ossos partidos

oferta-me
o gelo do teu toque
o odor a alfazema dos teus lábios
o punhal que cravas na carne

que o veneno, o teu veneno
seja a última coisa que conheço

o teu quarto: frio, o teu quarto: vazio, o teu quarto: assombrado, o teu quarto: o vicio, o teu quarto: o fim

não importa a dor, tudo acaba em si

11 comentários:

  1. A doce tentação. Amanhã é novo dia, e tudo se repetirá, ou não.

    Beijo :)

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  2. Nenhum abismo é mais profundo que uma cama... Belo poema, Laura!

    Beijos,

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  3. Na cama, o menor prazer é dormir
    bj, amiga-poetaça

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  4. o quarto e uma caixa vazia, pandora à espera


    beijo

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  5. "que o veneno, o teu veneno
    seja a última coisa que conheço"

    Envenenada, mas feliz! ;)

    Beijo

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  6. A morrer que seja com o teu veneno!!!
    Muito bom.
    Beijo

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  7. E todos os dias tu nos surpreendes com mais um poema lindo! Beijinhos

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