«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares

quinta-feira, 7 de julho de 2011

bala número onze

enrola-se na língua, aperta a carne com o seu fio fino
e aperta, aperta
já não é uma língua só, são duas divididas pelo fio invisível
que aperta e aperta
já não são os braços que rodeiam o corpo
e a pele cai em escamas pesadas diante dos pés
a voz some-se entre lábios que se movem violentos
se provares o sangue receio que encontras
a lápide que enfeitará a tua tumba

e a mentira sublima de encontro aos deuses

3 comentários:

  1. terminal no gatilho, sopro que mata

    beijo

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  2. Voz cortante...

    Beijinho fascinado, Laura!

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  3. o bifidismo é sempre instigador nos laboratórios da escrita.

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