«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

bala número dezoito


um dia
quando todas as casas ruírem
quando todas as pedras forem nuvens de pó
quando o silêncio desconhecer os ouvidos onde se abrigar
restarão as cruzes castigadoras de pedra

e de que adianta a sua sombra no incêndio do tempo?
e quem plantará flores de plástico nas estradas de alcatrão?
o meu nome não cabe numa folha de papel

e de minha fotografia apenas um ténue resquício

6 comentários:

  1. Que poema fatal! Aliás, tens uma mira e tanto...

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  2. sem um face a face
    o que é da poesia?

    beijinho!

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  3. Laurinha,
    um tiro de misericórdia? Será?
    No mínimo instigante!

    Beijos!

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  4. Só a fotografia com um tênue resquício.

    Adorei.
    Bjs.

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