«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Por fim a tempestade que se avistava,
Alcançou o seu destino.
Os céus azuis tingiram-se de cinzento,
Os enérgicos ventos apagaram o Sol,
A corajosa chuva precipitou-se sobre a Terra.
Finalmente o dilúvio cumpria os oráculos,
Enquanto os deuses brincavam sem temor.
Até que enfim eram escorraçados
Os jocosos humanos.
Alcançou o seu destino.
Os céus azuis tingiram-se de cinzento,
Os enérgicos ventos apagaram o Sol,
A corajosa chuva precipitou-se sobre a Terra.
Finalmente o dilúvio cumpria os oráculos,
Enquanto os deuses brincavam sem temor.
Até que enfim eram escorraçados
Os jocosos humanos.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
INCOMODO?
E uma formiguita arrastava o mundo.
Puxando-o, decidida, para a sua toca.
Decidia que ele seria o seu brinquedo,
Enquanto pensava como dispor os homenzinhos.
Rolava a bola azul, empurrada pela formiguinha,
Ignorando o seu destino, confiando.
Os homenzinhos viviam, imitando,
As acções impensadas dos seus antecessores.
Rolava o mundo, abismo fora,
Satisfazendo o capricho,
Seguia o mundo, futuro fora,
Vivendo acomodado, incomodando-me.
Puxando-o, decidida, para a sua toca.
Decidia que ele seria o seu brinquedo,
Enquanto pensava como dispor os homenzinhos.
Rolava a bola azul, empurrada pela formiguinha,
Ignorando o seu destino, confiando.
Os homenzinhos viviam, imitando,
As acções impensadas dos seus antecessores.
Rolava o mundo, abismo fora,
Satisfazendo o capricho,
Seguia o mundo, futuro fora,
Vivendo acomodado, incomodando-me.
Da janela do meu quarto prevejo o Inverno.
Os altos picos de uma minúscula montanha
São ocultados por um denso nevoeiro,
Envolvendo os gigantescos pinheiros,
Libertando o odor revigorante de eucalipto.
Na minha mente imagino o Inverno.
Os dias que passam a correr,
Desejando as noites frias,
Passadas em silêncio nesse quarto,
Onde adivinho a chegada do Inverno.
Da janela do meu quarto vejo a escuridão.
O dia dá lugar ao crepúsculo.
Os silêncios libertam os sons.
Uma coruja pia timidamente,
A mesma coruja fala corajosamente.
No meu intimo desejo o Inverno,
Para acordar do meu hibernar.
Os altos picos de uma minúscula montanha
São ocultados por um denso nevoeiro,
Envolvendo os gigantescos pinheiros,
Libertando o odor revigorante de eucalipto.
Na minha mente imagino o Inverno.
Os dias que passam a correr,
Desejando as noites frias,
Passadas em silêncio nesse quarto,
Onde adivinho a chegada do Inverno.
Da janela do meu quarto vejo a escuridão.
O dia dá lugar ao crepúsculo.
Os silêncios libertam os sons.
Uma coruja pia timidamente,
A mesma coruja fala corajosamente.
No meu intimo desejo o Inverno,
Para acordar do meu hibernar.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Como eu.
Só.
Como a arvore que morre especada,
Caindo ruidosamente na floresta silenciosa.
Só.
Como a gota de água que baixa,
Mergulhando no oceano indiferente.
Só.
Como a pedra que rola,
Precipitando-se no desfiladeiro ausente.
Só.
Como a sombra que alastra
Diluindo-se na noite sombria.
Só.
Como o vento como o vento que galga
Perdendo-se nas eternas planícies.
Só.
Como o ser iludido,
Que teima amar.
Como a arvore que morre especada,
Caindo ruidosamente na floresta silenciosa.
Só.
Como a gota de água que baixa,
Mergulhando no oceano indiferente.
Só.
Como a pedra que rola,
Precipitando-se no desfiladeiro ausente.
Só.
Como a sombra que alastra
Diluindo-se na noite sombria.
Só.
Como o vento como o vento que galga
Perdendo-se nas eternas planícies.
Só.
Como o ser iludido,
Que teima amar.
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