«Escrever não é agradável. É um trabalho duro e sofre-se muito. Por momentos, sentimo-nos incapazes: a sensação de fracasso é enorme e isso significa que não há sentimento de satisfação ou de triunfo. Porém, o problema é pior se não escrever: sinto-me perdido. Se não escrever, sinto que a minha vida carece de sentido.»
de Paul Auster
"Saber que será má uma obra que se não fará nunca. Pior, porém, será a que nunca se fizer. Aquela que se faz, ao menos, fica feita. Será pobre mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada. […] O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste. Tanto me basta, ou não me basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
de Bernardo Soares
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Aguardo pacientemente a chegada da noite.
Pacificamente sentada no meu banco do jardim,
Desejo a subida do nevoeiro, vindo do rio,
De encontro ao ponto da espera.
Sinto o ar frio correndo ao lado da estrada,
Enquanto me sento em esperança,
Calmamente suplicando o regresso
Do desfecho dos dias infinitos.
Na luz do dia projecto a sombra da noite,
Dormindo de olhos abertos.
Na escuridão da noite vivo desperta
Procurando o devaneio do ser.
Desejo o sono da noite profunda
Para te reencontrar no sonho.
Naquele nosso sonho nunca partilhado.
Pacificamente sentada no meu banco do jardim,
Desejo a subida do nevoeiro, vindo do rio,
De encontro ao ponto da espera.
Sinto o ar frio correndo ao lado da estrada,
Enquanto me sento em esperança,
Calmamente suplicando o regresso
Do desfecho dos dias infinitos.
Na luz do dia projecto a sombra da noite,
Dormindo de olhos abertos.
Na escuridão da noite vivo desperta
Procurando o devaneio do ser.
Desejo o sono da noite profunda
Para te reencontrar no sonho.
Naquele nosso sonho nunca partilhado.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Não, não podes.

Não me apetece falar.
Quero apenas ser como tu,
Uma onda do mar que chega à costa,
Vinda do infinito onde habita o nada.
Um frio pedaço de água,
Contornando habilmente gigantescos rochedos,
Somando os semelhantes, subtraindo os desiguais.
Não me apetece sentir.
Quero apenas ser como tu,
Onda do mar ocultando o sentimento,
Seguindo o curso das marés,
Chegando. Partindo.
Ignorando para quando o regresso,
Adiantando um possível epilogo.
Não. Não me apetece escrever!
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Uma ervilha descansava sobre um grão de areia.
O relógio, teimoso, insistia em bater as doze horas.
Isolados brotos de erva resistiam ao vento leste.
Folhas dos dias habitavam os calendários.
O relógio, teimoso, dava as horas, mantendo-se parado.
Tic Tac. Tic Tac
Os frutos transformavam-se em flores.
O Universo, decidido, parou a sua expansão.
O relógio, teimoso, desafiou a gravitação.
E uma formiga arrastava o mundo.
O relógio, teimoso, insistia em bater as doze horas.
Isolados brotos de erva resistiam ao vento leste.
Folhas dos dias habitavam os calendários.
O relógio, teimoso, dava as horas, mantendo-se parado.
Tic Tac. Tic Tac
Os frutos transformavam-se em flores.
O Universo, decidido, parou a sua expansão.
O relógio, teimoso, desafiou a gravitação.
E uma formiga arrastava o mundo.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
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